Meu Padrinho Miltão


Meu pai sempre me dizia que padrinho é aquele que a gente escolhe para ser pai de seu filho na sua ausência. E o meu não poderia ter escolhido melhor: Miltão. Na verdade, padrinho e madrinha: Miltão e Regina. Lembro-me de quando criança, e ainda morávamos no Parque Tropical, aqui em Campinas, eu corria de vez em quando lá da esquina da rua três, atravessava a praça entre as ruas quatro e cinco e, lá perto da caixa d'água do bairro, ia me divertir na casa dos meus padrinhos e brincar com seus filhos, Fernanda, Vinícius e Endrigo, que mesmo não sendo parentes de sangue, são parentes de coração.

Depois nos mudamos. Minha família primeiramente se mudou para o Jardim Pauliceia, depois no Jardim Campos Elíseos e por fim aqui no Jardim Andorinhas, todos aqui em Campinas. Já a família dos meus padrinhos se mudou para o Jardim Ouro Branco e depois para Piracicaba, mais para o interior. Os encontros entre a gente ficaram mais escassos, mas ainda guardava aquele gostinho de infância, com certa nostalgia.

Meu padrinho Miltão  fazia o tipo quietão, sereno e sorridente. Algumas vezes imaginava como ele seria se fosse meu pai. E de certa maneira, quando meu pai foi para o andar de cima, várias vezes pensei em conversar um dia com ele para saber como foram as aventuras dos dois quando mais jovens, o que fizeram eles virem de São Paulo para Campinas, como era meu pai antes de conhecer minha mãe, o que de fato rolava nas pescarias e como ele se sentiu quando foi convidado para ser meu padrinho. Curiosidade pura! Afinal, eu acho bacana saber histórias do meu pai, e mais legal ainda, descobrir coisas que eu nunca soube antes sobre o passado.

Mas ontem, infelizmente, eu percebi que essas conversas não aconteceriam mais neste plano de existência. E me bateu uma tristeza grande. Mas ao mesmo tempo uma alegria serena, de saber que esses dois grandes amigos estão agora lá, do outro lado, matando a saudade e retomando a amizade interrompida há alguns anos atrás. Fica a saudade, padrinho, mas também fica o grande amor que sentia por ti e por meu pai. Fica com Deus e manda um abraço para meu pai. Até um dia.

1 Comentários:

Obrigado Anderson!!! Sabemos que esta amizade retomou....
Eu e Milton somos orgulhosos de sermos padrinho e madrinha
Um grande abraço,
Regina e Familia