Crônica - Confusão


"- Estou confusa."

E assim caminhavam os dois naquela tarde fria do inverno de julho. Conversaram por algumas horas. Falaram da vida, expectativas, sonhos. Algumas coisas eram sincronizadas. Outras nem tanto. A magia que existia entre ambos já não era a mesma. E eles conversaram bastante. Eles perdiam a noção do tempo quando estavam um com o outro. O sol já se encontrava a oeste, pronto para ser encoberto pelo horizonte. Ele colocou sua mão esquerda atrás das costas dela para se abraçarem e disse:

"- Vem cá. Você sabe que não curto quando vejo uma mulher chorar."

Eles se abraçaram, ela pousou sua cabeça sobre seu tórax e acompanharam em silêncio o pôr-do-sol. Depois ele interrompeu a observação daquele espetáculo da natureza:

"- Segue seu coração. Você pensa demais."

"- É, eu sei. Mas que droga! Será que o destino está pregando alguma peça comigo?"

"- O destino é você quem faz. Mas me disseram que quando a gente segue o coração a gente nunca se arrepende."

Novo silêncio. Agora o sol se escondia atrás do horizonte, deixando atrás o céu rosa-alaranjado, que foi escurecendo, escurecendo. As primeiras estrelas apontavam no horizonte, o vento frio assobiava nas folhas das árvores mais a frente, ele tirou seu agasalho e colocou sobre os ombros dela. Pegaram as mãos, entrelaçaram os dedos e voltaram para onde tinham vindo. Ela enxugou uma lágrima que brotava nos seus olhos e perguntou:

"- Você me entende?" 

"- Entendo." 

"- Entao me explica?"

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