Crônica: Vaidade e Paixão



Eu já me apaixonei por uma mulher enquanto ela se arrumava para um jantar.

Ela prendeu o cabelo no próprio cabelo, sacou o batom vermelho, pintou os lábios que em breve estariam no meu corpo, passou rímel, trocou a calça, a blusa, cinco vezes, está bom assim, está linda, não sei se combina com meu humor, entendo, a calcinha tá marcando, somente o necessário, acho que vou trocar de calça, mais uma calça, mais três blusas, retoque no batom, seu pescoço é lindo, um beijo, dois, dez, desse jeito a gente perde a reserva, vamos ficar aqui, o pessoal está esperando a gente no bar, tá bom, vou me trocar, de novo, de novo, prende o cabelo com um graveto ou sei lá eu o nome daquilo, retoque no batom, acho que vou de vestido, olhou-se no espelho, se namorou, a namorei se namorando, seus olhos, tão borrados, são lindos, sorriu, de um verde que me faria matar e morrer, bobo, um beijo, só um, precisamos ir.

Ela me ganhou enquanto se vestia, enquanto escancarava sua deliciosa vaidade refletida em muitas cores no espelho, simplesmente sendo ela mesma.

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