Crônica - Os bombons


"- Nossa! Ganhei o dia! Quem foi que lembrou de mim e me deixou um bombom?"

Perguntou alto Thabata para todo o pessoal da agência de publicidade em que trabalhava. Como não obtivera resposta, abriu um sorriso, guardou o bombom e mais tarde deliciou-se vagarosamente com o pequeno doce. Virou rotina. Thabata chegava pela manhã e lá estava sobre a escrivaninha um bombom, sem remetente.

"- Quem foi? Quem foi? Acho que tenho um admirador ou alguém que gosta muito de mim!"

Procurava entre os olhares do escritório, alguém que se denunciasse. Ninguém sabia de nada, ninguém via quem deixava todas as manhãs na mesa de Thabata o pequeno presente. Aliás, alguém vê essas coisas? Dia a após dia os bombons teimavam em aparecer e ela começou a se incomodar com o mistério. Um dia chegou e encontrou um bombom de cereja, pegou em suas mãos, olhou para todos os lados, ninguém se denunciou, colocou a bolsa em cima da cadeira e falou para toda a agência ouvir:

"- Gente, eu tenho namorado. E logo vou ficar noiva. Não posso ficar aceitando essas cantadas. Achei que era brincadeira, mas está me incomodando. Quem é que está brincando comigo desse jeito?"

Ninguém falou nada a respeito. Uns sorriam, outras falaram que se ela não quisesse o bombom que dessem para elas. Ela guardou o bombom na gaveta e mais tarde, depois de um estresse danado com um projeto, agradeceu ao admirador secreto pelo bombom que lhe presenteara mais cedo. 

Com o passar das semanas, os bombons que Thabata ganhava, começaram a fazer parte daquelas certezas que nos acontecem todos os dias, faça sol ou faça chuva. Era ela chegar e lá estava seu pequeno mimo que adocicava seus dias. Um dia, ela parou de receber. Não veio nenhum bombom a semana toda e ela entristeceu. A tristeza não era pela falta de chocolate, mas achava que o admirador não a desejasse mais. Comentou com um e com outro o ocorrido.

"- Mas você não pediu esses dias atrás para parar?"

"- É... Pedi..."

"- Então?"

"- Mas não sei se queria ser atendida..."

Então, numa sexta-feira a tarde, Dado, um rapaz alto, forte, supergentil mas extremamente tímido que trabalhava com design, atravessou toda a agência, parou em frente a escrivaninha de Thabata e lá deixou uma caixa enorme de bombons. Ele olhou nos olhos de Thábata, sorriu e se retirou, sem dizer nenhuma palavra. Todos na agência ficaram encantados com aquela cena.

Deu certo? Bem, meu padrinho ainda traz chocolate para a minha madrinha quase todos os dias e ela reclama que ele fica sabotando seu regime. Briguinhas bobas de casal. 

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